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“IA está ajudando a criar uma nova geração de consultores de viagens superpoderosos”, diz fundador da A1

A inteligência artificial (IA) é tratada como uma nova revolução de produtividade, comparável ao surgimento da energia elétrica, e diversos setores da economia estão de olho em suas vantagens e nas preocupações que traz consigo. No mercado de viagens não é diferente. Sócio e fundador da A1 Inteligência em ViagensDaniel Schaurich de Oliveira conta que já vê os efeitos da IA no trabalho: “IA está ajudando a criar uma geração de consultores de viagens superpoderosos”.

É uma mudança e tanto no mercado. A A1 tem quase três décadas de existência, fundada por Daniel quando ele tinha 20 anos e especializada em viagens de negócios. Enfim, ele vê possibilidades reais, hoje, de avançar muito em automação e produtividade na área de gestão de viagens corporativas. “Tudo o que sempre sonhei está acontecendo neste momento no mundo da tecnologia”, afirma.

Confira entrevista com o fundador da A1:

Como foi o início da sua carreira?


Comecei cedo, na agência dos meus pais, em Montenegro. Eles vendiam pacotes de viagens para Porto Seguro, aqueles voos fretados. Eu gostava de emitir passagens aéreas internacionais, roteiros mais complexos, mexer nos sistemas de reservas. Aí comecei a oferecer esse serviço para as empresas da região. Levava uma colega que era mais velha do que eu nas reuniões para passar credibilidade, pois devia ter uns 17 anos na época. Com 20 anos, meus pais me ajudaram a abrir a minha agência, aí, sim, especializada em viagens a negócio, em outra cidade, mais industrial. E assim começou a A1.

A A1 é uma empresa que tem uma certa obsessão em otimizar e automatizar processos por meio da tecnologia. Por quê?


Rapidez e precisão são parte fundamental do nosso serviço, o básico a ser feito. Por isso, apostamos muito em otimização dos processos. Somamos isso a uma equipe de especialistas bem treinados, para que cada cliente receba um olhar próprio para suas necessidades específicas, e o resultado é muito positivo.

Qual o seu sonho de tecnologia para implementar na A1?


Tudo o que sempre sonhei está acontecendo neste momento no mundo da tecnologia. A possibilidade de criar aplicativos, conectar sistemas e programar. Nossa equipe, que não é de desenvolvedores, cria soluções e aplicações em horas, não mais em semanas ou meses de desenvolvimento, e a um custo muito baixo. Uma equipe com conhecimento técnico em viagens, e não em programação. Isso traz uma visão diferente ao processo. Antes, tínhamos de explicar o nosso negócio para alguém que entendia de programação. Agora, a pessoa que entende muito de viagens executa essa programação.

Qual a sua opinião sobre inteligência artificial e como ela pode ser usada nas empresas de viagens e turismo?


Eu acho que a IA é a maior evolução no mundo dos negócios. Nós já a usávamos em alguns processos, mas estamos tentando explorar ao máximo as possibilidades. Pouco antes da pandemia, já tínhamos análises de IA que previam os gastos de viagens de nossos clientes. Isso os ajudava a fazer o orçamento de viagens do ano seguinte. Hoje, além de dados, agilizamos muitos processos com IA entendendo imagens e confirmando dados para nossa equipe.

Pode dar um exemplo prático?


Por exemplo, temos uma aplicação criada internamente que lê a foto de um passaporte ou visto e transforma isso em dados. Isso é um ganho de tempo enorme para nossa equipe e garantia de que não haverá digitação errada de nenhuma informação. Também temos um chat interno que entende os nossos processos e protocolos e auxilia nossa equipe quando precisa de ajuda. Imagine que há milhares de regras e procedimentos, e nosso consultor de viagens não precisa recorrer a manuais ou planilhas, basta perguntar ao chat com IA e ter a resposta em segundos.

Como fazer uma empresa de boa rodagem no mercado como a A1 se manter com uma imagem moderna e antenada no que há de mais novo no setor?


Somos curiosos. Estamos sempre pensando se dá para fazer de maneira mais inteligente, e vamos lá e fazemos. Tem novas empresas com um superânimo pela mudança, pela melhoria, mas sem experiência. Outras com muita experiência, mas acomodadas com isso. Nós temos a experiência e um baita ânimo pela inovação.

Você tem acompanhado o mercado de viagens e turismo ao longo desses anos. O que mais impressiona em relação às mudanças pelas quais o setor passou?


Para mim, impressiona como as empresas de viagens são resilientes. Acho que agências de viagens foram o negócio que mais teve a morte decretada ao longo desses anos. A pandemia talvez tenha sido o maior baque de todos, mas estamos todos aí, setor com faturamento recorde. Acho que é um mercado ágil, nos adaptamos facilmente e usamos a experiência a nosso favor.

Na sua opinião, no que as empresas de viagens corporativas estão mais atrasadas em relação à tecnologia?


Historicamente, o mercado de viagens sempre foi inovador em tecnologia, basta imaginar que há décadas, mesmo antes da internet, companhias aéreas já distribuíam eletronicamente o conteúdo de voos globalmente. O investimento em tecnologia é imenso, mas acho que a complexidade da distribuição de viagens tira investimento em pesquisa e desenvolvimento de novidades. Imagine que há centenas de milhares de companhias aéreas, hotéis, locadoras, viações rodoviárias no mundo com diferentes meios de conexão entre os sistemas. Conectar tudo isso é uma loucura. Manter essa estrutura no turismo é muito caro e talvez tire um pouco do que poderia ser investido em inovação pelo mercado.

Qual o futuro das viagens?


Eu acho que a IA está ajudando a criar uma nova geração de consultores de viagens superpoderosos. Aquele profissional que tem acesso a tarifas exclusivas e condições especiais, mas que agora consegue potencializar o seu serviço com ajuda dessas novas tecnologias. Já vi algumas soluções criadas exatamente para isso em viagens. IA entende o que o viajante quer, mas conta com uma curadoria do consultor humano. Isso cria uma experiência de serviço fantástica.

A IA é o futuro, então? Como o consultor humano pode trabalhar ao lado da tecnologia?


A IA é algo assombroso, mas ainda é reativa. Você precisa saber o que perguntar, o que quer. Já o consultor de viagens sabe o que pode influenciar em sua viagem. Um exemplo, voos em aeroportos da Serra Gaúcha tendem a atrasar ou a serem cancelados mais no inverno, por causa da neblina. Um consultor de viagens não irá sugerir embarcar num voo desses se você tem uma conexão curta para outro voo. Qual o estado de conservação dos quartos de determinado hotel ou até qual a locadora tem a frota melhor conservada. Quando se une essa experiência com as informações da IA, se sai na frente.

Que destinos ainda deverão despertar o interesse para receberem viagens corporativas e por quê?


Em nível global, acho que Índia e países do sudeste asiático estão se tornando destinos com grande procura. Muito pelo fato de a China ter permanecido com fronteiras fechadas por mais tempo durante a pandemia. No Brasil, notamos aumento na procura por capitais menores e cidades do Interior. Florianópolis e Campinas são destaques. Acompanha um pouco a tendência de migração das grandes capitais para o Interior.

Depois da pandemia, muita gente passou a trabalhar em casa. No ramo das viagens corporativas, fala-se muito das viagens bleisure, que unem trabalho e lazer. São dois fatos que ilustram como a vida pessoal e o trabalho estão entrelaçados. O que acha disso?


Acho que o remoto revolucionou o trabalho de muitas maneiras. Em viagens a negócio, a primeira constatação são as viagens mais curtas. Antes da pandemia, segunda e sexta eram os dias da semana com maior procura de voos. As pessoas passavam a semana trabalhando. Hoje, terça e quinta são os dias de maior movimento. As viagens estão mais curtas, mas, ao mesmo tempo, mais flexíveis, pois o viajante pode trabalhar de qualquer lugar.

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