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“Investimento em tecnologia é o melhor boleto a ser pago”

A guardiã do caixa da A1 Inteligência em Viagens não vacila quando o gasto envolve alguma ferramenta que possa aumentar a produtividade e melhorar o trabalho de todos. “Investimento em tecnologia é o melhor boleto a ser pago”, sentencia a diretora financeira e sócia da A1, Valéria Verza.

A satisfação em investir em novas tecnologias vem de uma profissional com uma longa e consolidada carreira no setor de turismo. Sua jornada começou em março de 1986, na empresa de ônibus dos tios, em Caxias do Sul. “A gente organizava grupos de viagens no Brasil, na Argentina, no Paraguai e no Uruguai. Foi quando me apaixonei por viagens. Ao longo destes 30 anos, tive muitas oportunidades de viagens, tanto a trabalho quanto a lazer”, relembra.

Em agosto de 1992, Valéria se transferiu para uma agência com o objetivo de buscar mais conhecimentos no ramo, inicialmente em viagens a lazer, migrando depois para o segmento corporativo. A sociedade na A1 começou em 2009, na unidade de Caxias do Sul, que foi unificada com as demais em 2020, durante a pandemia.

Valéria já havia passado por vários setores dentro de uma agência de turismo, e na A1 começou a se dedicar ao financeiro. Logo no início da nova função, ela enfrentou seu grande desafio, durante a crise sanitária. Valéria percebeu, nos primeiros meses da pandemia, que a covid-19 deixaria uma ferida no mercado do turismo. Rapidamente, a empresa reduziu custos e ajustou o foco na gestão financeira para sair viva quando a doença estivesse controlada. “Administrar uma agência de viagens num cenário completamente desfavorável ao segmento do turismo foi desafiador, mas superamos as dificuldades da pandemia, conseguimos fortalecer a empresa e estamos preparados para investir no crescimento da A1”, afirma.

Confira entrevista com a diretora financeira e sócia da A1, Valéria Verza:

Você está há três décadas no mercado e já passou por praticamente todos os setores de uma agência de viagens. De que forma esse conhecimento mais amplo ajuda na gestão financeira?


Ajuda principalmente no registro das transações corretamente, pois sei qual é o fluxo da venda nos diversos segmentos e como posso otimizar o registro financeiro e contábil.Lorena Ávila, diretora corporativa e sócia da A1

Valéria Verza é diretora financeira e sócia da A1.
Foto: Carlos Macedo

O que a A1 tem de diferencial na gestão financeira e como isso impacta o cliente?


O controle dos processos para que o cliente receba documentos com informações claras e corretas, no recebimento de relatórios das despesas de viagens, faturas de cobrança, notas fiscais.

Você empregado algumas ferramentas para proteger os negócios da variação cambial, o chamado hedge. É um estratagema muito utilizado no mercado financeiro. Como surgiu a ideia?


Comecei a usar a proteção cambial quando organizava grupos personalizados para o Exterior. Negociava direto com fornecedores de outros países porque conseguia menores tarifas, mas o pagamento era na moeda local e precisava de uma proteção da variação cambial para manter a rentabilidade dos grupos. Assim, pesquisei opções com um banco com o qual trabalhamos e passei a usar esse recurso da proteção do câmbio.

A pandemia foi um marco para o turismo. Com a paralisação das viagens no mundo todo, muitas empresas acabaram fechando. Mas a A1 saiu mais forte da crise. A que se deve essa resiliência?


Acredito que, por já termos passado por situações difíceis anteriormente, tomamos decisões mais rápidas sobre o futuro do nosso negócio. Após dois meses de pandemia, começamos a nos preocupar em como seria o cenário se a crise se estendesse por vários meses. Refizemos nosso planejamento orçamentário e, apesar de a empresa manter uma reserva de recursos, entendemos que teríamos de fazer reduções imediatas de custos para garantir a saúde financeira da companhia. Precisamos também reduzir o quadro de funcionários, fechamos unidades, renegociamos contratos com fornecedores e passamos os dois anos de pandemia muito focados na gestão financeira. Um diferencial também foi o investimento que a empresa fez em tecnologia. Isso permitiu uma transição muito rápida para o home office, sem afetar a qualidade do atendimento.

O ano está sendo muito positivo para o turismo, incluindo as viagens corporativas, e a previsão é de que o mercado fique ainda mais aquecido no segundo semestre. O que fazer agora: investir e expandir o negócio, economizar ou tomar ambas as medidas?


Com certeza ambas as medidas, investir para aproveitarmos o aquecimento do mercado, mas, mesmo em cenário positivo, é prudente mantermos uma reserva financeira para enfrentar desafios futuros.

Qual o desafio que você vê hoje como mais importante para as agências de viagens corporativas em relação à sustentabilidade do negócio?


Acho que a pandemia foi a prova de fogo para o nosso mercado e mostrou a importância de uma boa gestão financeira. Quem teve cuidado com o caixa passou pela pandemia e hoje colhe os frutos. Nosso negócio tem margens apertadas, e as finanças devem ser cuidadas com muita atenção.

Como você vê a A1 no futuro, em relação à sustentabilidade financeira e aos investimentos que serão necessários?


Continuaremos atentos ao caixa, cuidando bem do nosso dinheiro. Nada melhor para os sócios, para a equipe, para fornecedores e para os clientes do que uma empresa sólida.

A inteligência artificial tem sido apontada como o futuro dos negócios. Será preciso um investimento muito alto para implantar essa tecnologia?


Vamos continuar investindo em tecnologias que nos tragam produtividade e controle. Aliás, investimento em tecnologia é o melhor boleto a ser pago, pois o retorno do investimento é visível.

Como são as decisões da empresa sobre investimentos em tecnologia?


Não gostamos de medir o total gasto, mas avaliamos como ele é gasto. Se a adoção de uma tecnologia for bem planejada, o custo pode ser baixo. As novas modalidades de sistemas na nuvem ajudam muito nisso. O investimento em tecnologia gera benefícios para nossos clientes, possibilidade de relatórios online e até redução de custos em serviços totalmente online.

Pode citar um exemplo?


Até pouco tempo atrás, tínhamos uma sala exclusiva para um servidor, que custava o mesmo que um carro popular e tinha manutenção especializada. Hoje, temos dezenas de servidores online, que custam centavos por processamento e são atualizados com a melhor tecnologia automaticamente. Então, se eu comparar o boleto do servidor antigo com o novo, estamos gastando menos, mas não é correto dizer que estamos investindo menos em tecnologia. Pelo contrário, temos muito mais tecnologia hoje a um custo muito menor.

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